quinta-feira, 21 de maio de 2015

Daqui, em 1976, acenei pra você

Reprodução

Você pode passar todos os dias ou ocasionalmente pelo Ver O Peso sem se dar conta dessa frase. Ela está ali, estampada abaixo de uma janela naquele prédio velho do lado do Mercado de Ferro. O Solar da Beira como é conhecido, é um pequeno resumo da cidade de Belém hoje: um lugar entregue a própria sorte, sujo, onde o povo e a apenas o povo faz algo para que sobreviva.

No momento que escrevo este texto, artistas e ativistas de diversas realidades estão fazendo a ocupação do Solar. Já são quase duas semanas de programação cultural aberta e feita sem qualquer recurso público. Aliás, nem existem. O artista na cidade não tem espaço. Nasce, cresce, produz e morre. Seu suor, garra, porta na cara e porrada é que dá algum ânimo.

“E ainda, a situação estrutural do prédio sem energia elétrica, com algumas paredes ruindo, muitas tábuas soltas no chão e a falta de limpeza atraindo animais de várias espécies nos fazem sentir literalmente a decomposição social e patrimonial da cidade — o que poderia ser amenizado se a manutenção e a vistoria anual do Solar da Beira fossem realizadas pela Prefeitura de Belém.”, diz um trecho da carta-manifesto publicada na página da ocupação no facebook.

Coincidentemente, na semana em que o Solar ganha fitas coloridas, quadros, luz e vida, leio um desabafo emocionante do Edyr Augusto Proença que anunciou o fim do Teatro Cuíra. Vivia ali na Riachuelo. Morreu em um dia qualquer da semana. As cadeiras foram doadas e o palco já foi desmontado. A cortina fechou.

“O Teatro Cuíra fechou, num dia qualquer da semana. Foi bom enquanto durou. Encheu o peito de alegria, orgulho, felicidade. Dever cumprido. Agora é mais um “já teve”. Quem não foi, não viu, perdeu! Vitória da incivilidade, da cretinice, da estupidez. Doeu. Doeu muito. Mas houve muita felicidade. Viva o Cuíra!”,declarou Edyr Proença em seu perfil no facebook.

Ali perto, na Presidente Vargas, o Cinema Olympia, segundo mais antigo do Brasil, também agoniza. Vive de programações de alguns cineclubes. Filmes exibidos para públicos grandiosos e dentro de um cinema luxuoso em outros tempos são exibidos novamente para uns poucos gatos pingados que por lá aparecem. Investimento público? Piada! As salas que serviam para alguns serviços do antigo Severiano Ribeiro estão lá atrás da sala de exibição, vazias. Um amigo próximo me disse que já havia apresentado um projeto para dar fôlego ao espaço. “Tu sabes onde tá? Dento da gaveta deles!”, me disse. Preciso dizer quem são eles?

Bem na frente, o Theatro da Paz é apenas um local bonito para fazer umas fotos e para ser mostrado como cartão postal da cidade. O povo não entra. "É coisa de rico", dizem alguns. E é mesmo. Coisa de gente rica! Agora nem isso. Tirando alguns festivais durante o ano, os palcos estão vazios. As cortinas também, como as do Cuíra que deixaram de existir.

Carnaval a gente não pode brincar porque a prefeitura não deixa. Melhor dizendo, a prefeitura seleciona quem pode. Se tiver abadá de 60 pilas, cordão de isolamento e trio elétrico tá liberado, agora se for com trigo, confete, fantasia e uma bandinha de fanfarra, não pode. Gente pobre eles não querem circulando por ali. “Esse povo urina nos prédios, são mal educados, porcos, imundos!”

Sabe qual é a ironia disso tudo? A prefeitura de Belém alega que faz isso para preservar o patrimônio histórico. Outra piada! Os nossos velhos casarões estão para cair, sem ao menos uma porca pintura de cal na frente.

O Olympia perdeu a majestade. O Cuíra se acabou.
O São Cristóvão? Que desastre! A prefeitura não ajeitou.

A República? Que tristeza!
A prefeitura abandonou.

E o povo? Não tem arte!
A prefeitura desprezou.

Versos inúteis para ilustrar uma inútil gestão.  Até mesmo a praça da República ganhou o desprezo da prefeitura. Está lá, gritando por socorro. Prometeram o São Cristovão e bom, tá lá na Magalhães Barata decorado com trepadeiras.

Cineasta, poeta, pintor, músico e  mestre de carimbó. Todo mundo acena e grita pra você. Tudo aqui padece como os poucos espaços que temos. Ritmos, cores, cantos e sabores vão se perdendo. Guerreiros são aqueles que resistem.


Essa é a nossa querida Cidade Morena que vai completar 400 anos. Vamos juntos comer o bolo de hipocrisia que atual gestão nos oferece.  

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um pronunciamento lúcido, sincero e esclarecedor



A presidenta Dilma Roussef não poderia escolher data melhor para fazer seu pronunciamento: no domingo, onde as famílias estão em casa e grande parte delas espera assistir algumas “reportagens” não muito confiáveis do “Fantástico” e mais: no dia da Mulher! Em outra ocasião, escrevi falando sobre os ajustes de certa forma danosos e sentidos, sobretudo pelas centrais sindicais que apoiaram Dilma. Mas afinal, que momento é esse enfrentado pelo país?

A crise mundial

 
O Brasil passa por um momento difícil, seria mentira dizer que não. Além dos escândalos envolvendo a Petrobras, nós sentimos no bolso os efeitos de uma crise econômica que iniciou ainda em 2008 e que ainda é sentida mundialmente até hoje. Essa crise econômica, ao contrário do que algumas páginas na internet costumam alardear, principalmente no facebook, não são uma criação do atual Governo e muito menos do PT. Quando Lula afirmou ainda em seu segundo mandato que a crise chegou Brasil como uma “marolinha”, não mentiu. Ao contrário de alguns países da Europa como a Grécia e a Espanha, nosso país se segurou. No pronunciamento de hoje, Dilma foi clara “não imaginávamos que iria demorar tanto!”. Nem sendo Nostradamus a gente poderia pensar que tal crise avançaria por tanto tempo.

A crise a América Latina 

A América Latina mesmo enfrentando os efeitos da crise, ainda resiste com rigor. O Mercosul desempenha um papel importante nesse sentido, tendo o Brasil na dianteira dessas economias. No ano passado, o bloco que forma os BRICS deu um salto enorme para enfrentar estes efeitos negativos criando um fundo de investimento próprio e independente do FMI. E por falar em FMI, quem foi mesmo que quase vendeu o Brasil para o Fundo Monetário Internacional? A resposta é clara e nem precisa ser escrita.

Diante de todo esse cenário exposto, seria quase infantil achar que o presidente a assumir em 2015, seja Dilma, Aécio, Marina e mesmo os candidatos mais ‘puritanos’ não enfrentariam esses efeitos e mais: arrisco dizer que se Aécio assumisse a presidência do país, os efeitos dessa crise seriam estarrecedores e afundaríamos de vez como já aconteceu em outros governos antes de 2003. Dilma foi mais do que sincera em reconhecer que o brasileiro em especial as mães e pais de família sentem os efeitos da crise mais do que ninguém. E como enfrentar estes efeitos?

As previsões apocalípticas


Como disse antes, quem assumisse a cadeira presidencial teria enormes desafios. No período eleitoral, Dilma se comprometeu em defender os direitos dos trabalhadores. No início do ano, as Medidas Provisórias que alteram a concessão de alguns benefícios surpreenderam a todos e inclusive cheguei a escrever sobre. Porém, não podemos deixar de reconhecer que desde 2003 o trabalhador percebe um aumento real no salário mínimo, aumento que não foi alterado em nada pelo atual mandato de Dilma.

As previsões apocalípticas feitas pela oposição também abordadas com muita clareza no pronunciamento. É necessário direcionar os gastos do governo de forma correta e concisa e dessa forma evitar “quebras” gigantescas em nossa economia causadas pela crise econômica. O Partido da Imprensa Golpista conhecido como PIG, é infeliz quando tenta mostrar para a população que o desemprego está em níveis grandiosos! Ora, passamos pelas menores taxas de desemprego desde o primeiro mandado de Lula e isso deve ser reconhecido.

Os desafios


Dilma Roussef convida todos nós brasileiros a enfrentarmos a crise juntos e acrescento: além de enfrentarmos essa crise juntos, temos que ter confiança, paciência e claro, nos munir de informações para não cair nas ciladas e mentiras que a todo o momento são bombardeadas na internet e na mídia.

Além de nos munir de informações é preciso que todos nós saibamos da importância que instituições como a Petrobras têm para nós. Em outros tempos, a exemplo da Vale, por muito pouco a nossa principal estatal foi entregue aos interesses estrangeiros. A corrupção no Brasil não foi uma invenção do PT e nem iniciou com o PSDB. As pessoas envolvidas neste escândalo merecem ampla defesa e punição caso forem condenadas, porém a Petrobras é maior do que qualquer esquema que tente destruí-la, pois além ser estratégica para a nossa economia, ela é um bem meu e de você que lê este texto.

Não caia em um discurso golpista pregado pela grande mídia e pela oposição que pede de forma imbecil o impeachment da presidenta. A democracia precisa e deve ser respeitada. No dia 13 de março, os movimentos sociais do Brasil sairão às ruas para defender a democracia, a Petrobras e, sobretudo por Reforma Política. É através dessa Reforma considerada a mãe de todas as reformas que o Brasil vai conseguir diminuir os escândalos que envolvem políticos e grandes empresas. É assim que vamos mudar o Brasil e construir juntos o governo que queremos.

No dia 13 de março todas e todos às ruas em defesa do Brasil, da democracia, contra o golpismo da direita e pela Reforma Política!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

As traquinagens e desafios do novo governo Dilma


Após o longo recesso para o descanso, o Gonzo está de volta! Peço desculpas pela ausência. Estava me recuperando de meses exaustivos de 2014. Enfim, estou de volta com vocês. Hoje, trago uma reflexão importante sobre o segundo mandato de Dilma Roussef. Vamos lá?



Para os eleitores de Dilma, as novas medidas econômicas têm sido um golpe baixo. Durante a campanha eleitoral, todos nós que demos nosso voto à presidenta, apostamos em um projeto que garantia ainda mais oportunidades aos trabalhadores brasileiros e não que tirasse, pois o retrocesso estava encarnado em Aécio Neves do PSDB. O que aconteceu afinal?

A ruralista e o banqueiro


A primeira surpresa foi a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. Todos sabem da luta anti reforma agrária que a nova ministra travou no Congresso. A 'pérola' foi afirmar que "não existe latifúndio no Brasil”. Piada pronta, já dizia Zé Simão.

A segunda foi a nomeação de Levy para a Fazenda. Começou colocando barreiras para os benefícios trabalhistas como o seguro defeso e o seguro desemprego. As Centrais Sindicais que ajudaram a reeleger a presidente foram pegas desavisadas pelas medidas. Nessa semana tomaram as ruas pela queda das Medidas Provisórias (MP’s) 664 e 665.

Na educação, o MEC sofreu corte de 7 bilhões sob a justifica de “redução preventiva” devido as “incertezas dos rumos da economia”. Entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) que apostou em Dilma para conter a ameaça neo-liberal de Aécio Neves também foi surpreendida e lançou nota de repúdio ao corte.

 Afinal, eu votei no PSDB?


O que me espanta muito é essa sanha dos tucanos em criticar o novo governo. Ora, vocês não tem exatamente o que pediram há alguns meses atrás? Falaram tanto da economia e hoje tem um Ministro queridinho em Davos e até mesmo pelo então candidato ao Ministério da Fazenda em caso de vitória de Aécio, Armínio Fraga. Segundo Fraga, Levy é “uma ilha de competência em um mar de mediocridade.”
Por tantas vezes durante a campanha eu disparei contra “banqueiros, ruralistas e fundamentalistas”. Parece que de tanto a militância falar, foram abrigados no governo e não o contrário. Até entendi a escolha de Levy no primeiro momento. Para mim seria alguém para conter a sanha do mercado devido a reeleição de Dilma. Acho que me enganei.

O segundo mandato de Dilma até este momento tem me parecido o mais contraditório possível. Apesar das medidas impopulares na economia, o governo anunciou medidas para incentivar o parto normal e garantir o parto humanizado; Dilma defendeu uma das bandeiras mais importantes da campanha que é a criminalização da homofobia e garantiu a continuidade do aumento real de salário mínimo que nesse mês passou a valer R$ 788. Medidas que jamais veríamos nos governos do PSDB.

O mesmo vigor da campanha


Votei em Dilma apostando que não teríamos o risco de voltar ao tempo negro dos governos tucanos. Eu seria “leviano” se afirmasse que voltamos a essa época com o segundo mandato de Dilma. O voto para reelegê-la foi mais do que consequente e por esse motivo vou ser consequente para apresentar as críticas e ajudar a construir o governo que quero.

Na campanha fomos responsáveis por forçar parte do PT que estava adormecida nos seus confortáveis gabinetes a irem às ruas e fazer o tradicional “corpo a corpo” da campanha. Foi memorável ver a “velha guarda” ao lado da juventude panfletando, segurando bandeiras e gritando palavras de ordem.
É esse mesmo vigor que vai fazer pressão para empurrar o governo para as mudanças que tanto queremos. Escolher um candidato tucano não é nem de longe a melhor alternativa. Ficar aí parado em suas cadeiras colocando nas redes que “Dilma não me representa” ou “Fora PT” não vai ajudar em absolutamente nada.
Ao contrário de pedir impeachment, que tal se a gente pedir melhorias? Que tal se a gente pedir mais investimentos pra educação? Que tal a gente se juntar às Centrais por mais direitos ao trabalhador? Ou a gente se mobiliza com consequência e responsabilidade, ou veremos de novo aquela onda de protestos orquestrados pela oposição pedindo até mesmo a volta dos militares ao poder, afinal a rua está aí, basta ocupá-la. Está em nossas mãos garantir que não sejam eles (de novo).
Charge de Ribs. Disponível em: http://goo.gl/VS4uvb

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Entre estupradores, sociólogos e pseudo-intelectuais

Ainda este ano, fiz uma avaliação do que seria a próxima composição do Congresso Nacional, eleito o mais conservador desde 1964, no texto "O Congresso, o Planalto, o ódio e junho de 2013" publicado no Portal Vermelho. Antes mesmo de sua posse, o novo Congresso já mostra sua cara: cada vez mais ódio, preconceito e machismo.

Charge: Ribs/ facebook.com/matheusribsoficial

A viúva da Ditadura

"Não saia não, Maria do Rosário, fica aí. Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, 'tu' me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir!". Dar nojo de ler, não? Fico imaginando a deputada Maria do Rosário ouvindo essas palavras do fascista, ou neo-nazista Jair Bolsonaro, na última terça, dia 9. O episódio foi mais uma das atuações circenses do ''deputado'', que além de um agressor confesso, é uma das viúvas da Ditadura Militar no Brasil.

Para muitos pode parecer banal ou até algo que não é digno de atenção, mas pensem comigo. Ele não estupra, porque ela não merece. Se fosse outra ele iria estuprar? Pior do que isso, existe alguma mulher no mundo que mereça ser e-s-t-u-p-r-a-da ? Ultimamente o conservadorismo impregnado nesse país tem tornado comum esse tipo de comportamento. "Mulher com saia curta está pedindo sexo", "Mulher de vestido curto está querendo transar". Ora, será que toda mulher que queira usar uma roupa mais ousada, está fazendo um pedido pra fazer sexo com qualquer homem?

O sociólogo paraense

Aqui no Pará, um delegado eleito deputado federal mais votado do estado, o famoso Eder Mauro, disse em uma entrevista concedida a uma jornalista do jornal O Liberal, que é "policial, não sociólogo" e que a homossexualidade é igual a maconha: "Não pode incentivar!". De fato, a bancada militar mostrou para o que veio. Existe forma de estimular a homossexualidade? Será que a homossexualidade é algo a ser combatido das formas mais cruéis possíveis, ou é uma opção individual? 

Da mesma forma a maconha. Não entro no mérito da droga em si, mas do tráfico. É necessário sim combater o tráfico de drogas, que mata e destrói famílias todos os dias. Mas não é batendo, esfolando e matando "aviõezinhos", "fogueteiros" e "distribuidores" de drogas que se combate o tráfico. Para muitos a solução é prender o traficante, porém, prender um traficante não tira a possibilidade de surgirem outros. O combate ao tráfico se dá na raiz do problema, se dá pela presença maior do estado, não com repressão, mas dando educação e oportunidades de melhoria de vida à população mais pobre. 

Os pseudo-intelectuais

Como podemos observar, a cada dia a sanha conservadora vai mostrando a cara não apenas através de parlamentares, mas também por 'pseudo-intelectuais' ao nível de Lobão e Olavo de Carvalho, que aliás, em pleno ano de 2014, ainda pedia a morte de comunistas em uma rede social. Mesmo após 50 anos de um golpe que censurou, torturou e matou, ainda há gente pregando ódio a comunistas e a pessoas ligadas a esquerda.

É, a luta de ideias e os debates tendem a ser ainda mais acirrados daqui pra frente. No parlamento, existem parlamentares que a todo dia estão na linha de frente para combater essas ideias. Aqui fora cabe a cada um de nós, militantes ou não, de esquerda ou não, travar essa luta, e não falo em estabelecer como alvo uma pessoa e sim ideias retrógradas.

O que fazer?

Que ideias são essas? Resumindo: 1 - mulher nenhuma, em hipótese alguma vai merecer ser estuprada; 2 - o combate as drogas se dá com educação e distribuição de renda igualitária, não se combate drogas com porrada; 3 - homossexualismo não é doença, nem uma praga e muito menos uma chaga social, é uma opção individual e que deve ser respeitada; 4 - o Brasil vive uma democracia, que apesar das falhas, garante a existência de partidos e organizações políticas, de esquerda e de direita, que podem fazer suas manifestações e mostrar suas ideias; 5 - o golpe militar de 64 matou e torturou sim e é uma ameaça a qualquer país ter sua liberdade cerceada por um regime como este.

Por último quero ressaltar que vivemos em uma democracia que te permite de certo modo, dizer o que pensa, ter suas opiniões e sua ideologia, mas fazer isso com discurso de ódio, alimentando o preconceito e a violência é grotesco. Ideias divergentes e discurso de ódio são coisas opostas e temos que ter muito cuidado com isso. Vamos dialogar? Vamos bater um papo centrado e sem ofensas? Vamos mostrar nossas ideias e alimentar o debate com a sociedade? É isso que fortalece a democracia e isso que vai fazer pessoas mais críticas e menos alienadas. Desde já, aguardo a opinião de vocês. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Sobre casais

Quem nunca esteve em um elevador quando entra um casal apaixonado, chato, meloso pra caralh#, se beijando, se chupando e te dando vontade de vomitar? Pois é. Fiz esse texto especialmente pra vocês. "Casais também podem ler?" Óbvio! Quem sabe vocês não se identificam.

Antes de começar, eu queria aqui publicar uma errata. No post "Retrospectiva do Gonzo: Copa do Mundo" eu citei um casal que convivo bastante, Yã e Amanda, dizendo que eles são os únicos que consigo engolir sem vomitar. Na verdade, existem mais casais devo ressaltar. Entre eles Tiago e Flaviana. Ele é meu primo e acompanha o Gonzo desde o primeiro texto. Sim, eu aguento vocês sem vomitar, confesso. 

Imagem: facebook/artesdepressão

Outro dia eu estava em um banco esperando ser atendido. Minha senha era a 600 e estavam chamando a 540. "Ânimo Igor, só faltam 60." Sentei na última cadeira disponível e esperei. Na minha frente, um casal que começou em um show de carícias. 

 - Amor, você me ama?, perguntou a menina.
- Amo!
- Mas você me ama mesmo?,perguntou de novo.
- Amo! 
- Mesmo? 

Nessa situação até eu já estava ficando puto pelo cara. "Ai, tu é grosso!". Grosso uma porra. O cara já não disse que ama? Já não disse duas vezes? Precisa confirmar?

Não, isso não é uma apologia contra casais, contra o amor ou contra outra porra como alguns alegam. Só acho um saco essa explosão de mimimi de alguns casais. Yã e Amanda já me deram ânsias de vômito várias vezes. Nesse final de semana vi um vídeo dos dois cantando Artic Monkeys. Yã com a cara mais idiota do mundo cantando. Se eu estivesse junto, seria um vômito no meio dos dois. 

E aqueles 15 'selinhos' antes de um ou outro irem comprar uma água? Cara, é só uma água, nada mais, ele ou ela vai voltar pra ti relaxa. Engraçado também o casais 'gêmeos siameses'. Esses ai tem um lugar guardado no inferno. "Creeedo seu nojento!" Nojento? Vocês ficam grudados no corredor, ficam grudados na escada, ficam grudados na sala de aula, ficam grudados na cozinha e até no banheiro. Isso é amor ou uma vontade incansável de encher o saco do outro?

Agora o casal que mais engraçado é o casal pornô. Vivem falando sobre posições, maneiras e jeitos de ter um sexo bacana. Os casais mais 'inocentes' colam logo nesse casal pra saber mais dicas. É uma piada! Falando em casais inocentes, tem aqueles casais que pagam uma de religiosos, puritanos, 'não dá, não mete' que é uma hipocrisia danada. Outro dia vi um que pagava de religioso e que 'escolheram esperar', mas o menino saia meia noite da casa da menina que morava sozinha. Não sei quanto a vocês, mas acho que eles não estavam lendo a Bíblia. Só acho.

Tem também o casal fight club. Estão bem, brincando, tranquilos e do nada viram a cara e ficam com raiva, sem motivo aparente. Se vocês são um casal assim, vale ressaltar que os amigos ao redor ficam putos e bocham junto com vocês!

Falando em casal que briga, tem o casal foda-se. Tudo se resolve a base do foda-se! 

- Ei caralho, pega essa merda aí!
- Caralho tu chama pra tua mãe, filho da put@!
- Bora porra!

É mais ou menos assim. Parece o Casos de Família do SBT.

Os que não sabem levar na brincadeira, já pensam que esse texto é pra ofender, que eu não tenho amor por ninguém, essas coisas. Isso é brincadeira, gente, relaxem. Todo casal é meio fight club, ou gêmeos siameses ou cheios de mimimi. Isso é a coisa mais natural do mundo. Sim, eu também passo por isso com a minha namorada, quem não? São situações que aqueles que se gostam passam no dia a dia do relacionamento. 

E vocês? Conhecem outros tipos de casais ou se identificaram com algum deles? Me contem aí. Quero saber desse mimimi de vocês ai. 

Fiquem ligados no Jornalista Gonzo! Até a próxima!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Balaio Cultural



Sexta feira, dia oficial da cerveja! Eu separei pra vocês algumas opções pra curtir a noite. Coloquei também umas opções de bares pra tomar uma cerveja e bater um papo. Se liga aí.

CINEMA

Foto: Divulgação



Espaço municipal Cine Olympia
Lá no Cine Olympia tá em cartaz o filme “O menino contratado” que estreia hoje e vai até o dia 11, sempre as 18:30h. A classificação indicativa é 12 anos e a entrada é gratuita. O cine Olympia fica ali na Presidente Vargas, ao lado da Americanas. Sinopse e outras informações aqui.

Cine Líbero Luxardo
Lá no Líbero Luxardo tá rolando o filme “Miss Violence” que vai ser exibido hoje e amanhã as 19h e no domingo em dois horários, 17 e 19h. A classificação é 18 anos e o ingresso custa 8 reais com meia entrada para estudantes. O Líbero fica dentro do Centur, na Gentil Bittencourt quase chegando na Quintino. Sinopse e outras informações aqui.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=4txNVRIpcok

TEATRO
Foto: Sesc Boulevard


Sesc Boulevard
Lá no Sesc Boulevard vai estrear o espetáculo “O que podemos contar” em duas seções, as 10 e as 16h. A classificação é livre e a entrada é de graça. A matéria completa aqui.

MÚSICA
Foto: Estação das Docas


Sesc Boulevard
Ainda no Sesc Boulevard vai rolar o show da galera do Vinil Laranja, as 18h. A entrada é franca. O Sesc fica ali na Boulevard Castilhos França, do outro lado da Estação das Docas.

Estação das Docas
E pra quem gosta de um carimbó e de música regional, o grupo Cheiro do Pará vai apresentar o espetáculo “Uma terra que se chama Pará”. Vai ter muita saia rodada, batuque e cantoria. Vai ser lá na orla do Armazém 3 na Estação. A entrada é de graça e começa as 18h.

BARES
 
Praça do Carmo / Divulgação

E pra galera boêmia eu vou dar umas opções de bares que eu já fui e que aprovei. Confere aí.

Composição Bar: A cerveja é bem gelada e as mesas ficam a céu aberto, na praça do Ferro de Engomar. Fica ali perto do Pátio Belém, na rua Arcipetres Manoel Deodoro, rua do lado da Igreja da Trindade. Local bacana pra descontrair e bater um papo. A cerveja varia de 6 a 8 reais.
  
Praça do Carmo: Largo da boêmia de Belém. Ali na praça do Carmo tem um circuito de bares excelente. Não vou destacar um em particular, mas recomendo que fiquem em uma daquelas mesas na calçada da praça. Outro espaço ótimo pra bater um papo com os amigos. É a céu aberto com direito a uma brisa pra aliviar o calor da cidade morena. A cerveja varia de 5 a 8 reais.

E ai, curtiu? Na próxima sexta tem mais! Bom final de semana!


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Retrospectiva do gonzo: Copa do Mundo

Ano acabando, bebedeiras (re)começando e as lembranças das farras (ou putadas) que fizemos esse ano são lembradas. Eu tô fazendo uma retrospectiva das coisas que lembro, não necessariamente em ordem cronológica, já que na maioria eu acabei bebendo demais e só lembro de flashes ou de relatos da turma menos bêbada. Vou começar com a Copa, que vamos combinar, foi riso, susto, choro e cerveja! 

Fanfest da Fifa / Reprodução


"Se chorei ou se sorri, o importante é que na Copa eu bebi!"

Parafraseando a música do Roberto Carlos é que eu começo esse texto. Mês de junho chegou e com ele a Copa do Mundo, esse ano no nosso Brasilsão abençoado por Deus! Antes da estréia da Seleção, era só passar a noite na rua pra ver a agonia da galera em enfeitar as ruas e casas.

Fitas verde e amarelas, bandeiras, desenhos do Fuleco e algumas bandeiras de São João com as cores do Brasil invadiram o alto e o chão das ruas. Bacana era ver a galera fazendo "corujão" pra terminar a decoração. A primeira desculpa pra começar a beber. 

No dia do primeiro jogo, saí do trabalho mais cedo e corri pra casa. As ruas estavam vazias e as portas das casas armadas com televisões, caixas de som e tudo mais. Foda mesmo era ver a galera com as caixas de cerveja passando a todo momento. Entramos em campo. Bacana ver que o 1º gol da Copa foi nosso. Menos mal, pois ganhamos o jogo. O Marcelo se tornou a melhor piada que já vi. Depois do gol contra, lembro que focaram bem no rosto do Marcelo e um vizinho já meio alterado, gritou "SAÍ DAÍ CARALH#, TU JÁ FEZ MERDA!" e todo mundo riu.

Não lembro exatamente da ordem dos jogos mas acho que foi o jogo contra o Chile que deixou todo mundo aflito. Assisti junto com a turma da faculdade e não deu em outra: churrasco e muita cerveja! 

- Yã, desce a porra da carne logo!
- Calma porra, tá crua!
- Tá mal passada! Desce essa merda!

E todo mundo riu. A cada momento de lance perigoso, a gente levantava com um garfo na mão e um copo de cerveja em outra.

- Vai caralho! Poooorra....
- Égua tem que tirar esse filho da put# desse Marcelo! Faz porra nenhuma!
- Igor, pega uma ai pra gente!

E foi nesse ritmo. A cada jogo uma loucura. Não fui em bar algum assistir os jogos. Fiquei em casa ou fui pra casa de amigos. Em uma dessas idas, assisti com o Yã e Amanda, a porra do único casal que eu consigo engolir sem vomitar, até porque são amigos, caso contrário... Tomamos muita cerveja. O final foi épico.

- O Brasil ganhou essa porra e promessa é divida. Vou virar essa garrafa!
E virei uma garrafa em menos de 8 segundos. Recorde meu. A Amanda até gravou em vídeo. Maldição! Foi nesse jogo também que quebraram o Neymar. A partir daí, o declínio começou.

Copa vem, Copa vai, chegou Brasil e Alemanha. Expectativa a mil! Todo mundo apostando em uma vitória magra e suada da Seleção.

- Vai ter 1x0 pro Brasil!
- Vai ser 2x1 pra gente porque a Alemanha é foda também!
- Vai pros pênaltis! 

E assim foi. Brasil entrou em campo. 1x0. E eu pensava "Puta merda. Mas dá pra recuperar. 2x0. "Put@ que pariu. Ainda dá." 3x0. "Estamos fora da Copa. Alemães nos fuderam!". 

Até ai beleza. Com três gols, o som parou, a festa esfriou e parecia que havia morrido alguém. Fui pegar um churrasco e uma cerveja, quando o Galvão gritou "Goool, da Alemanha", naquele tom de luto. 

- ÉGUA, CARALHO, DE NOVO?

E não parou. 5x0 "Meu Deus do céu, já tá bom! Que merda é essa?"

6x0. Comecei a lagrimar. A gente perdia em casa pra Alemanha, nossa Seleção se apagou em campo e ainda de 6 a 0? Não dava pra engolir.

7x0. "Não pode ser..."

Aí o balde de água fria foi completo. Larguei meu copo, perdi a fome e comecei a me despedir. Fui embora. Botei fé naquela Seleção, torci, gritei, andei com bandeira e esses porras me fazem isso. As ruas ficaram feito feriado de Semana Santa. Fui dormir, quase chorando. E a Copa terminou. Ainda torci pra Alemanha na final, porque torcer contra a Argentina é questão de honra, mas os 7 gols eu não esqueci.

Depois da Copa aproveitei meu recesso e parti pra saudosa Ilha de Colares, no interior do Pará. Foram as férias mais curtas que já tive, mas que valeram a pena pra afogar as mágoas da Copa. 

"E o que continuamos a fazer depois da derrota?"
A mesma coisa: beber!

Eu continuo botando fé na Seleção. O nosso time e a o time do Paysandu são os únicos que eu torço. Já estou no aguardo da próxima Copa pra continuar a maratona do churrasco e da cerva. Vocês também beberam desse jeito? Espero que sim.

Ah, olhem só. Pra quem quiser curtir, a minha página no Facebook é:

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