quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Retrospectiva do gonzo: Copa do Mundo

Ano acabando, bebedeiras (re)começando e as lembranças das farras (ou putadas) que fizemos esse ano são lembradas. Eu tô fazendo uma retrospectiva das coisas que lembro, não necessariamente em ordem cronológica, já que na maioria eu acabei bebendo demais e só lembro de flashes ou de relatos da turma menos bêbada. Vou começar com a Copa, que vamos combinar, foi riso, susto, choro e cerveja! 

Fanfest da Fifa / Reprodução


"Se chorei ou se sorri, o importante é que na Copa eu bebi!"

Parafraseando a música do Roberto Carlos é que eu começo esse texto. Mês de junho chegou e com ele a Copa do Mundo, esse ano no nosso Brasilsão abençoado por Deus! Antes da estréia da Seleção, era só passar a noite na rua pra ver a agonia da galera em enfeitar as ruas e casas.

Fitas verde e amarelas, bandeiras, desenhos do Fuleco e algumas bandeiras de São João com as cores do Brasil invadiram o alto e o chão das ruas. Bacana era ver a galera fazendo "corujão" pra terminar a decoração. A primeira desculpa pra começar a beber. 

No dia do primeiro jogo, saí do trabalho mais cedo e corri pra casa. As ruas estavam vazias e as portas das casas armadas com televisões, caixas de som e tudo mais. Foda mesmo era ver a galera com as caixas de cerveja passando a todo momento. Entramos em campo. Bacana ver que o 1º gol da Copa foi nosso. Menos mal, pois ganhamos o jogo. O Marcelo se tornou a melhor piada que já vi. Depois do gol contra, lembro que focaram bem no rosto do Marcelo e um vizinho já meio alterado, gritou "SAÍ DAÍ CARALH#, TU JÁ FEZ MERDA!" e todo mundo riu.

Não lembro exatamente da ordem dos jogos mas acho que foi o jogo contra o Chile que deixou todo mundo aflito. Assisti junto com a turma da faculdade e não deu em outra: churrasco e muita cerveja! 

- Yã, desce a porra da carne logo!
- Calma porra, tá crua!
- Tá mal passada! Desce essa merda!

E todo mundo riu. A cada momento de lance perigoso, a gente levantava com um garfo na mão e um copo de cerveja em outra.

- Vai caralho! Poooorra....
- Égua tem que tirar esse filho da put# desse Marcelo! Faz porra nenhuma!
- Igor, pega uma ai pra gente!

E foi nesse ritmo. A cada jogo uma loucura. Não fui em bar algum assistir os jogos. Fiquei em casa ou fui pra casa de amigos. Em uma dessas idas, assisti com o Yã e Amanda, a porra do único casal que eu consigo engolir sem vomitar, até porque são amigos, caso contrário... Tomamos muita cerveja. O final foi épico.

- O Brasil ganhou essa porra e promessa é divida. Vou virar essa garrafa!
E virei uma garrafa em menos de 8 segundos. Recorde meu. A Amanda até gravou em vídeo. Maldição! Foi nesse jogo também que quebraram o Neymar. A partir daí, o declínio começou.

Copa vem, Copa vai, chegou Brasil e Alemanha. Expectativa a mil! Todo mundo apostando em uma vitória magra e suada da Seleção.

- Vai ter 1x0 pro Brasil!
- Vai ser 2x1 pra gente porque a Alemanha é foda também!
- Vai pros pênaltis! 

E assim foi. Brasil entrou em campo. 1x0. E eu pensava "Puta merda. Mas dá pra recuperar. 2x0. "Put@ que pariu. Ainda dá." 3x0. "Estamos fora da Copa. Alemães nos fuderam!". 

Até ai beleza. Com três gols, o som parou, a festa esfriou e parecia que havia morrido alguém. Fui pegar um churrasco e uma cerveja, quando o Galvão gritou "Goool, da Alemanha", naquele tom de luto. 

- ÉGUA, CARALHO, DE NOVO?

E não parou. 5x0 "Meu Deus do céu, já tá bom! Que merda é essa?"

6x0. Comecei a lagrimar. A gente perdia em casa pra Alemanha, nossa Seleção se apagou em campo e ainda de 6 a 0? Não dava pra engolir.

7x0. "Não pode ser..."

Aí o balde de água fria foi completo. Larguei meu copo, perdi a fome e comecei a me despedir. Fui embora. Botei fé naquela Seleção, torci, gritei, andei com bandeira e esses porras me fazem isso. As ruas ficaram feito feriado de Semana Santa. Fui dormir, quase chorando. E a Copa terminou. Ainda torci pra Alemanha na final, porque torcer contra a Argentina é questão de honra, mas os 7 gols eu não esqueci.

Depois da Copa aproveitei meu recesso e parti pra saudosa Ilha de Colares, no interior do Pará. Foram as férias mais curtas que já tive, mas que valeram a pena pra afogar as mágoas da Copa. 

"E o que continuamos a fazer depois da derrota?"
A mesma coisa: beber!

Eu continuo botando fé na Seleção. O nosso time e a o time do Paysandu são os únicos que eu torço. Já estou no aguardo da próxima Copa pra continuar a maratona do churrasco e da cerva. Vocês também beberam desse jeito? Espero que sim.

Ah, olhem só. Pra quem quiser curtir, a minha página no Facebook é:

https://www.facebook.com/igoravgvsto/

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O que aprendi com a tia do café

Como meu primeiro texto, escolhi um relato que vivi na semana passada. Não tem uma psicodelia, é um texto bem reflexivo. "Porr@ Igor, por que tu não escreve aquelas coisas loucas?". Calma. Logo logo está vindo textos com um ritmo mais frenético, mas como também não vivo de psicodelia, vale a pena dar uma lida. É sobre um bate papo que tive com a famosa "tia do café da esquina". Em alguns minutos parado em meio a loucura de Belém aprendi muito e quero compartilhar com vocês. Espero que gostem ;)






Os que me conhecem sabem que uma das qualidades no meio dos milhares de defeitos que tenho é ouvir. Ouvir mesmo. Ouvir as histórias que alguém quer contar, mas que ninguém ouve ou dá atenção. Seja do senhor que pegou um engarrafamento, seja o tio da limpeza na faculdade ou da tia do café da esquina.

Semana passada cheguei uns 10 minutos mais cedo no trabalho e com esse curto tempo livre aproveitei pra tomar um café no outro quarteirão. "Oi meu amor, bom dia, o que você deseja?", perguntou a senhora. (Esse tipo de tratamento caloroso que eu admiro na minha terra. )

 - Bom dia tia, me dê um café com pão, por favor.
Sentei em um banquinho ao lado do carrinho de vendas e fui servido com muita atenção por ela. No primeiro gole de café, ela me interrompeu.
 - Menino, agora me diz, como é que eu vou obrigar um garoto de 25 anos a ir ao dentista?.

Ri.

- Esse meu filho tá com esse negócio no dente e não quer ir. O pai dele já marcou e mesmo assim ele tá com essa frescura.
 - Mas por que tia, ele tem medo?
 - Não sei, eu acho que é. Eu falo, falo e nada.

Continuei rindo.

 - Mesma coisa pra comprar roupa. Falo pra ele ir que eu vou com ele, mas não quer. Outro dia fui lá na Yamada e quando ele gostou de uma, não deu nele. Cruel!

Enquanto eu comia, ela atendia rapidamente os outros fregueses que chegavam, sempre com a mesma paciência e carinho. Voltou a mim.

 - Pior que ele é todo assim sabe? Já fez um monte de coisa mas não gostou. Fez paisagismo uns 5 anos mas quando foi arrumar emprego queriam dar salário de jardineiro pra ele., contou.
 - Ah tia, mas aqui no Pará é assim, não dão valor mesmo.

Ela concordou e me explicou que as outras filhas dela estavam pra outro estado pois conseguiram um emprego lá fora após se formarem. "Tão é bem pra lá!", disse.
Papo vai, papo vem, ela me falou de uma filha que está em Belém.

 - Quando ela casou foi engraçado. O pai do marido dela carregava o tijolo, o marido dela rebocava e ela ajudava a carregar a massa, me contou rindo. Essa que é a casa né?.
 - Claro tia. Isso mesmo que é casa, quando a gente faz com o próprio suor.

Comecei a ficar apreensivo pela hora. Olhei no celular e vi que era hora de ir. Antes disso, ela me falou com orgulho, que iria ajudar a filha com azulejos pra casa por conta do neto que tem um ano.
 - Uma graça ele! Vou dar esses azulejos pra ele não ficar na umidade e passar mal. Mas vou dar aos poucos, sabe como é filho, se a gente começa a dar muito, eles se acham.

Após mais alguns momentos de conversa, me levantei, perguntei quanto era, paguei e me despedi.

 - Tia adorei falar com a senhora mas tenho que trabalhar. Qual seu nome?
   - Izabel!
  - Dona Izabel, foi um prazer viu? Amanhã volto pra tomar um café.
  - Tá meu filho, bom trabalho, que Deus te abençoe!

E foi assim os minutos de prosa com dona Izabel. Ao contrário de fazer a "obrigação" do jornalista, ouvi dona Isabel sem compromisso algum, sem pauta alguma pra fazer ou sem nenhuma entrevista formal que fazemos no dia a dia. Com a correria que a gente vive e com o ritmo frenético que a cidade gira, é raro ouvir até o pai ou a mãe em casa. Tudo é muito rápido, muito instantâneo. Não sei se dona Izabel pode compartilhar uma conversa como a que tivemos todo dia, inclusive eu também não. Ouvir alguém é uma atitude simples e mais do que ouvir, aprender.

Vocês podem se questionar, afinal, o que eu aprendi com dona Izabel?

Aprendi que o filho de Dona Izabel precisa encontrar aquilo que gosta de fazer , algo prazeroso ou que pelo menos lhe dê dinheiro de certa forma, assim como nós. Aprendi que o esforço e o suor são as dádivas mais incríveis do ser humano e quando você constrói algo com seu suor sem depender de ninguém, a vitória é mais gostosa. Isso foi o que dona Izabel me passou em uma conversa na esquina de uma rua movimentada no centro de Belém.

Vou reproduzir aqui outros "dedos de prosa" que tiver e deixo aos amigos e principalmente aos colegas que serão jornalistas a recomendação: ouçam. Vocês vão descobrir que bacana que é o nosso mundo ouvindo as pessoas.


Aguardem as próximas aventuras do Gonzo!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Finalmente, o Gonzo!





Foram inúmeras conversas, bate-papos e ''enquetes'' que tive antes de fazer esse Blog. A muito tempo queria ter um espaço para centralizar as tão loucas e insanas situações que passo, as conversas que tenho, os lugares por onde passo, as músicas que ouço, enfim, todas essas pequenas ou grandes coisas que faço por aí e que geralmente publico em meu perfil no Facebook. 

Alguns podem se perguntar o que eu vou escrever nesse novo blog. Aos que conhecem, sabem que escrevo sobre cultura, política, arte, música, sobre a minha viagem a algum lugar, sobre um amigo maluco, sobre um professor tresloucado, sobre uma conversa interessante... Ufa! Compartilho minhas opiniões não somente por compartilhar, mas pra saber a opinião de outras pessoas e além disso para estimular o debate. 

"Igor, mas me explica, que porr@ é essa de Jornalista Gonzo?"

Ah sim o nome. Outro dia quando estava em uma pauta (muito louca por sinal) sobre hipinose. Não estava com nenhuma identificação da assessoria e acompanhei tudo como um estudante. A palestra foi rolando e já pelo final, o palestrante fez uma sessão de hipinose ao vivo. Fiquei surpreso com a demonstração. Mandei a foto para a minha coordenadora e ela disse "Vai lá Igor! Participa! Faz o jornalismo gonzo!". A expressão não me era estranha e curioso como sou fui procurar.

Contando a história do jornalismo gonzo de forma breve, essa forma de fazer jornalismo surgiu com Hunter S. Thompson. Hunter era um jornalista norte-americano que na década de 60 descobriu novas formas de fazer jornalismo. Contratado pela revista Sports Illustrated para cobrir uma corrida de motocross em Nevada, ao invés de seguir o famoso "início, meio e fim" das matérias jornalísticas, Thompson fez um relato louco e insano sobre o evento. A revista, claro, rejeitou o trabalho, que foi publicado pela Rolling Stone posteriormente.

A narrativa pessoal, o gosto pela aventura e a fuga da reportagem encomendada foi o que caracterizou o 'jornalismo gonzo' de Hunter. Narrativa em primeira pessoa, psicodelia e por vezes doses de álcool (e drogas) fazem parte do gonzo.  Sabem o 'Diário de um jornalista bêbado'? Pois é, foi ele quem escreveu.

Pelo que eu escrevi você que conhece e que não conhece meus textos devem ter noção do que encontrarão pelo Blog. O objetivo principal é compartilhar narrativas e receber de vocês uma nova. Adoro essa troca de experiências que alimenta não só o jornalista, mas qualquer ser humano. 

Espero vocês que devem acompanhar o blog também contribuam com sugestões, elogios e principalmente críticas! A gente vai se conhecendo com o tempo e quem sabe, marcamos um bate papo ao vivo mesmo pra debater e conversar um pouco. Esse é o Jornalista Gonzo ou Igor Augusto, se assim quiserem. Vamos embarcar nessa aventura juntos?

PS: O plano de fundo do Blog e a ilustração acima são do pai do jornalismo gonzo, Hunter S. Thompson. O layout passará por mudanças. Sou péssimo nessas coisas de layout mas pedirei ajuda a amigos da faculdade.