terça-feira, 11 de agosto de 2015

School's Out!


No Dia do Estudante nada melhor do que relembrar os bons e velhos tempos de escola. Como passaram rápido, não? Esses textos foram escritos por mim durante o 3º ano, lá em 2010. O último surgiu após uma conversa de bar, já na faculdade, com um dos personagens envolvidos na história. Me sinto confortável de divulgá-los, pois apesar de todo o pessimismo sobre nós, cá estamos, quase feitos na vida. É impossível não se identificar! 

PS: Na falta de título, nomeei com a música do Alice Cooper, totalmente sugestiva. Dá o play no fim da página e lê o texto. Experiência perfeita!






Primeira parte - escrita no 1º semestre de 2010



Finalmente estávamos sozinhos. Corri, abri a porta, olhei para os corredores e não havia ninguém. Meus olhos encontraram a sala da frente e ela estava lá: aquela cara carrancuda, os óculos abaixo dos olhos, e um olhar malévolo, que dá medo até depois de vê-lo diversas vezes. Entrei na sala e espiei pelo vidro da porta, onde era possível ter uma visão completa do outro lado. Minutos depois ela saiu de sua sala e foi em direção as escadas. Era minha única oportunidade. Os outros que estavam comigo certamente não diriam nada. Com um gesto gracioso, abri a porta e sem fazer barulho, andei apressadamente no encalço dela. Meu coração parecia encostar-se ao pomo-de-adão, suava frio e meu corpo tremia levemente. Não havia saída, teria que seguir atrás dela. Desci os degraus como se eu fosse uma pena deslizando pelo chão. Ela estava de costas e na percebeu que eu me aproximava. Parou no pé da escada e olhos para os lados. Meu coração ameaçou saltar pela boca. Então desceu o ultimo degrau e desviou para a esquerda. Era a hora. Corri para frente sem olhar para trás , não conseguia pensar em nada, passei pelo portão e sai. Finalmente consegui sair. O dia estava maravilhoso, o céu estava azul, o sol brilhava intensamente no alto e a brisa suave balançava os galhos das árvores. Consegui desviar da coordenadora e sai da escola, um plano astucioso, que só os mais espertos são capazes de executar (com sucesso).


Segunda parte - escrita no 2º semestre de 2010



O dia estava sendo uma droga. Parecia que todos haviam concordado em fazer nada. Na verdade nada estava acontecendo na aula. O assunto daquela segunda-feira era o final de semana perdido por duas provas de 90 questões e uma redação. Cansaço, esgotamento e uma gripe no auge, não me deixavam pensar em nada, a não ser ir pra casa e dormir. Foi ai que surgiu a ideia

Junto com um dos meus amigos, decidi ir embora. Dois a menos não fariam falta, já que a maioria resolveu não ir naquele dia. O sinal tocou. Era o momento. A adrenalina tomou conta novamente. Agora não havia coordenadora. O caminho estava quase livre. Só precisávamos passar por alguns alunos e pelo porteiro. Tarefa nada difícil. Tensão. Coração acelerado. Suor Frio. 


- É agora! - Disse eu, e saímos discretamente da escola. 


Havia sido fácil. 


- Estou louco pra chegar em casa e dormir! – Comentei com meu amigo. Então ouvi uma voz bem acima de mim. 


- Igor, espera pega minha mochila! – Gritou outro amigo pela janela de nossa sala que dava direto para a rua, ele também queria ir embora. E antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, a mochila já voara do segundo andar e estava no chão. Olhei pra trás e vi um cara alto, branco e com uma camisa vermelha vindo em nossa direção. 

- Puta que pariu, o porteiro! 


Se ele nos pegasse, certamente falaria pra coordenação. Sem perceber, o cara que fugiu comigo, fugiu outra vez. Peguei a mochila e quando já estava do outro lado da rua ele perguntou: 

- Ei, de que turma vocês são? 


E nesse momento, adivinhem, outra mochila voou pela janela e caiu ao lado do porteiro. 

- Primeiro ano! – Respondi correndo. Menti é claro. Vi de relance ele pegando a outra mochila e voltando pra escola. 


- Merda, vou ter que levar essa mochila pra casa! – Disse eu, sozinho, já a caminho da parada de ônibus. Segundos depois o dono da primeira mochila apareceu. 

- Porra cara fudeu, o porteiro viu! 


- É, eu sei, fui em que pegou a mochila lembra? E de quem era a outra? - Perguntei. 


- Do Jefferson! 


- Merda! O porteiro pegou a mochila bem na hora! 


- Cara ,vamos voltar? 


- Nem sonhando! É melhor pegarmos o ônibus e voltarmos pra casa. 


- É verdade. Estamos fodidos! – ele disse. 


E estava certo. A essa hora toda a coordenação já deveria saber da historia e com certeza seriamos chamados no dia seguinte. 


- Igor, Luiz Henrique e Artur Sampaio na minha sala por gentileza. 

Estava acabado. Nossos pais saberiam de tudo. Havíamos sido pegos!


Terceira parte - escrita em 2013

Engraçado relembrar esses momentos hoje. São tantas memórias desses rápidos e intensos três anos, que muitas delas não possíveis de virar uma narração. Poderia citar algumas como, por exemplo, o conteúdo de uma lata de lixo sendo jogada em alguém que eu esqueci o nome, ou rolos de papel higiênico servindo como confetes nas aulas na sala de vídeo, e até uma brincadeira maligna, onde a única regra era desviar de balaços de bola de basquete. Enfim. Esse texto conta o que aconteceu na sala da coordenação, por conta do episódio que narrei no segundo texto dessa pequena série. Dessa vez, estamos de frente com a coordenadora. Vamos nessa?



“Igor, Luiz Henrique e Artur Sampaio na minha sala por gentileza.”


Um por um, saímos da sala de aula. Não há coisa pior do que ser observado por trinta olhares debochados enquanto a coordenadora te chama. Os risinhos me deixaram mais puto ainda. A coordenadora pedagógica nos levou até uma sala onde o vice coordenador já nos aguardava. A vontade de rir já era grande e ficou ainda maior quando vimos o coordenador com um largo riso escondido por trás das mãos. Sentados lado a lado e de frente para os coordenadores. Trocávamos olhares e observávamos aquele maldito bloco de notas nas mãos da coordenadora.
- Bonito né? – Começou ela.

- Olha eu não sei. Não sei de onde vocês tiraram essa idéia. Fugir da escola, jogando mochilas pela janela?

       As nossas bocas estavam todas presas com as mãos, evitando um riso.
- Vocês acham isso engraçado? – Continuou.

       Para nosso alívio, o coordenador interrompeu.
- Meninos, vocês sabem que isso é errado! Se não queriam ficar na aula, bastava me procurar, e eu ligaria pros pais de vocês.

    Permanecíamos calados. As respostas que vinham em nossas cabeças mereciam ser dadas. Porém, isso garantiria passaporte para a suspensão. E ela continuou outra vez...
- Sabe o que eu fico mais admirada? É que vocês estudaram em escolas religiosas, e eu tenho certeza que a educação lá não era essa. Eu me admiro também do Jefferson que não fugiu por falta de oportunidade!

      Seguramos o riso mais uma vez. Nem mesmo longos anos de escolas religiosas conseguiram conter as merdas que fazíamos.
- E ele ainda jogou a mochila! Vocês vão fazer vestibular né? O Arthur vai fazer UNAMA. As janelas lá são mais altas... Só quero ver esses resultados ano que vem. Eu fico pensando o que não faltou pra vocês não pularem junto com a mochila.

   O Luiz virou e cochichou com a mão na boca “um pára-quedas”. Tive que fingir uma breve tosse pra evitar a gargalhada.
- Eu só não vou suspender os três porque o Mário me pediu. Mas ainda quero conversar com os pais de vocês. Assinem aqui e voltem pra aula.

Saímos da sala, nos olhamos e rimos. Aquele fora meu último passeio à coordenação. Três anos se passaram desde então. O melhor de tudo, é os tais resultados que ela esperava foram todos positivos. Quase todos daquela sala hoje são universitários.


Alice Cooper - School's Out

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Daqui, em 1976, acenei pra você

Reprodução

Você pode passar todos os dias ou ocasionalmente pelo Ver O Peso sem se dar conta dessa frase. Ela está ali, estampada abaixo de uma janela naquele prédio velho do lado do Mercado de Ferro. O Solar da Beira como é conhecido, é um pequeno resumo da cidade de Belém hoje: um lugar entregue a própria sorte, sujo, onde o povo e a apenas o povo faz algo para que sobreviva.

No momento que escrevo este texto, artistas e ativistas de diversas realidades estão fazendo a ocupação do Solar. Já são quase duas semanas de programação cultural aberta e feita sem qualquer recurso público. Aliás, nem existem. O artista na cidade não tem espaço. Nasce, cresce, produz e morre. Seu suor, garra, porta na cara e porrada é que dá algum ânimo.

“E ainda, a situação estrutural do prédio sem energia elétrica, com algumas paredes ruindo, muitas tábuas soltas no chão e a falta de limpeza atraindo animais de várias espécies nos fazem sentir literalmente a decomposição social e patrimonial da cidade — o que poderia ser amenizado se a manutenção e a vistoria anual do Solar da Beira fossem realizadas pela Prefeitura de Belém.”, diz um trecho da carta-manifesto publicada na página da ocupação no facebook.

Coincidentemente, na semana em que o Solar ganha fitas coloridas, quadros, luz e vida, leio um desabafo emocionante do Edyr Augusto Proença que anunciou o fim do Teatro Cuíra. Vivia ali na Riachuelo. Morreu em um dia qualquer da semana. As cadeiras foram doadas e o palco já foi desmontado. A cortina fechou.

“O Teatro Cuíra fechou, num dia qualquer da semana. Foi bom enquanto durou. Encheu o peito de alegria, orgulho, felicidade. Dever cumprido. Agora é mais um “já teve”. Quem não foi, não viu, perdeu! Vitória da incivilidade, da cretinice, da estupidez. Doeu. Doeu muito. Mas houve muita felicidade. Viva o Cuíra!”,declarou Edyr Proença em seu perfil no facebook.

Ali perto, na Presidente Vargas, o Cinema Olympia, segundo mais antigo do Brasil, também agoniza. Vive de programações de alguns cineclubes. Filmes exibidos para públicos grandiosos e dentro de um cinema luxuoso em outros tempos são exibidos novamente para uns poucos gatos pingados que por lá aparecem. Investimento público? Piada! As salas que serviam para alguns serviços do antigo Severiano Ribeiro estão lá atrás da sala de exibição, vazias. Um amigo próximo me disse que já havia apresentado um projeto para dar fôlego ao espaço. “Tu sabes onde tá? Dento da gaveta deles!”, me disse. Preciso dizer quem são eles?

Bem na frente, o Theatro da Paz é apenas um local bonito para fazer umas fotos e para ser mostrado como cartão postal da cidade. O povo não entra. "É coisa de rico", dizem alguns. E é mesmo. Coisa de gente rica! Agora nem isso. Tirando alguns festivais durante o ano, os palcos estão vazios. As cortinas também, como as do Cuíra que deixaram de existir.

Carnaval a gente não pode brincar porque a prefeitura não deixa. Melhor dizendo, a prefeitura seleciona quem pode. Se tiver abadá de 60 pilas, cordão de isolamento e trio elétrico tá liberado, agora se for com trigo, confete, fantasia e uma bandinha de fanfarra, não pode. Gente pobre eles não querem circulando por ali. “Esse povo urina nos prédios, são mal educados, porcos, imundos!”

Sabe qual é a ironia disso tudo? A prefeitura de Belém alega que faz isso para preservar o patrimônio histórico. Outra piada! Os nossos velhos casarões estão para cair, sem ao menos uma porca pintura de cal na frente.

O Olympia perdeu a majestade. O Cuíra se acabou.
O São Cristóvão? Que desastre! A prefeitura não ajeitou.

A República? Que tristeza!
A prefeitura abandonou.

E o povo? Não tem arte!
A prefeitura desprezou.

Versos inúteis para ilustrar uma inútil gestão.  Até mesmo a praça da República ganhou o desprezo da prefeitura. Está lá, gritando por socorro. Prometeram o São Cristovão e bom, tá lá na Magalhães Barata decorado com trepadeiras.

Cineasta, poeta, pintor, músico e  mestre de carimbó. Todo mundo acena e grita pra você. Tudo aqui padece como os poucos espaços que temos. Ritmos, cores, cantos e sabores vão se perdendo. Guerreiros são aqueles que resistem.


Essa é a nossa querida Cidade Morena que vai completar 400 anos. Vamos juntos comer o bolo de hipocrisia que atual gestão nos oferece.  

segunda-feira, 9 de março de 2015

Um pronunciamento lúcido, sincero e esclarecedor



A presidenta Dilma Roussef não poderia escolher data melhor para fazer seu pronunciamento: no domingo, onde as famílias estão em casa e grande parte delas espera assistir algumas “reportagens” não muito confiáveis do “Fantástico” e mais: no dia da Mulher! Em outra ocasião, escrevi falando sobre os ajustes de certa forma danosos e sentidos, sobretudo pelas centrais sindicais que apoiaram Dilma. Mas afinal, que momento é esse enfrentado pelo país?

A crise mundial

 
O Brasil passa por um momento difícil, seria mentira dizer que não. Além dos escândalos envolvendo a Petrobras, nós sentimos no bolso os efeitos de uma crise econômica que iniciou ainda em 2008 e que ainda é sentida mundialmente até hoje. Essa crise econômica, ao contrário do que algumas páginas na internet costumam alardear, principalmente no facebook, não são uma criação do atual Governo e muito menos do PT. Quando Lula afirmou ainda em seu segundo mandato que a crise chegou Brasil como uma “marolinha”, não mentiu. Ao contrário de alguns países da Europa como a Grécia e a Espanha, nosso país se segurou. No pronunciamento de hoje, Dilma foi clara “não imaginávamos que iria demorar tanto!”. Nem sendo Nostradamus a gente poderia pensar que tal crise avançaria por tanto tempo.

A crise a América Latina 

A América Latina mesmo enfrentando os efeitos da crise, ainda resiste com rigor. O Mercosul desempenha um papel importante nesse sentido, tendo o Brasil na dianteira dessas economias. No ano passado, o bloco que forma os BRICS deu um salto enorme para enfrentar estes efeitos negativos criando um fundo de investimento próprio e independente do FMI. E por falar em FMI, quem foi mesmo que quase vendeu o Brasil para o Fundo Monetário Internacional? A resposta é clara e nem precisa ser escrita.

Diante de todo esse cenário exposto, seria quase infantil achar que o presidente a assumir em 2015, seja Dilma, Aécio, Marina e mesmo os candidatos mais ‘puritanos’ não enfrentariam esses efeitos e mais: arrisco dizer que se Aécio assumisse a presidência do país, os efeitos dessa crise seriam estarrecedores e afundaríamos de vez como já aconteceu em outros governos antes de 2003. Dilma foi mais do que sincera em reconhecer que o brasileiro em especial as mães e pais de família sentem os efeitos da crise mais do que ninguém. E como enfrentar estes efeitos?

As previsões apocalípticas


Como disse antes, quem assumisse a cadeira presidencial teria enormes desafios. No período eleitoral, Dilma se comprometeu em defender os direitos dos trabalhadores. No início do ano, as Medidas Provisórias que alteram a concessão de alguns benefícios surpreenderam a todos e inclusive cheguei a escrever sobre. Porém, não podemos deixar de reconhecer que desde 2003 o trabalhador percebe um aumento real no salário mínimo, aumento que não foi alterado em nada pelo atual mandato de Dilma.

As previsões apocalípticas feitas pela oposição também abordadas com muita clareza no pronunciamento. É necessário direcionar os gastos do governo de forma correta e concisa e dessa forma evitar “quebras” gigantescas em nossa economia causadas pela crise econômica. O Partido da Imprensa Golpista conhecido como PIG, é infeliz quando tenta mostrar para a população que o desemprego está em níveis grandiosos! Ora, passamos pelas menores taxas de desemprego desde o primeiro mandado de Lula e isso deve ser reconhecido.

Os desafios


Dilma Roussef convida todos nós brasileiros a enfrentarmos a crise juntos e acrescento: além de enfrentarmos essa crise juntos, temos que ter confiança, paciência e claro, nos munir de informações para não cair nas ciladas e mentiras que a todo o momento são bombardeadas na internet e na mídia.

Além de nos munir de informações é preciso que todos nós saibamos da importância que instituições como a Petrobras têm para nós. Em outros tempos, a exemplo da Vale, por muito pouco a nossa principal estatal foi entregue aos interesses estrangeiros. A corrupção no Brasil não foi uma invenção do PT e nem iniciou com o PSDB. As pessoas envolvidas neste escândalo merecem ampla defesa e punição caso forem condenadas, porém a Petrobras é maior do que qualquer esquema que tente destruí-la, pois além ser estratégica para a nossa economia, ela é um bem meu e de você que lê este texto.

Não caia em um discurso golpista pregado pela grande mídia e pela oposição que pede de forma imbecil o impeachment da presidenta. A democracia precisa e deve ser respeitada. No dia 13 de março, os movimentos sociais do Brasil sairão às ruas para defender a democracia, a Petrobras e, sobretudo por Reforma Política. É através dessa Reforma considerada a mãe de todas as reformas que o Brasil vai conseguir diminuir os escândalos que envolvem políticos e grandes empresas. É assim que vamos mudar o Brasil e construir juntos o governo que queremos.

No dia 13 de março todas e todos às ruas em defesa do Brasil, da democracia, contra o golpismo da direita e pela Reforma Política!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

As traquinagens e desafios do novo governo Dilma


Após o longo recesso para o descanso, o Gonzo está de volta! Peço desculpas pela ausência. Estava me recuperando de meses exaustivos de 2014. Enfim, estou de volta com vocês. Hoje, trago uma reflexão importante sobre o segundo mandato de Dilma Roussef. Vamos lá?



Para os eleitores de Dilma, as novas medidas econômicas têm sido um golpe baixo. Durante a campanha eleitoral, todos nós que demos nosso voto à presidenta, apostamos em um projeto que garantia ainda mais oportunidades aos trabalhadores brasileiros e não que tirasse, pois o retrocesso estava encarnado em Aécio Neves do PSDB. O que aconteceu afinal?

A ruralista e o banqueiro


A primeira surpresa foi a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. Todos sabem da luta anti reforma agrária que a nova ministra travou no Congresso. A 'pérola' foi afirmar que "não existe latifúndio no Brasil”. Piada pronta, já dizia Zé Simão.

A segunda foi a nomeação de Levy para a Fazenda. Começou colocando barreiras para os benefícios trabalhistas como o seguro defeso e o seguro desemprego. As Centrais Sindicais que ajudaram a reeleger a presidente foram pegas desavisadas pelas medidas. Nessa semana tomaram as ruas pela queda das Medidas Provisórias (MP’s) 664 e 665.

Na educação, o MEC sofreu corte de 7 bilhões sob a justifica de “redução preventiva” devido as “incertezas dos rumos da economia”. Entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) que apostou em Dilma para conter a ameaça neo-liberal de Aécio Neves também foi surpreendida e lançou nota de repúdio ao corte.

 Afinal, eu votei no PSDB?


O que me espanta muito é essa sanha dos tucanos em criticar o novo governo. Ora, vocês não tem exatamente o que pediram há alguns meses atrás? Falaram tanto da economia e hoje tem um Ministro queridinho em Davos e até mesmo pelo então candidato ao Ministério da Fazenda em caso de vitória de Aécio, Armínio Fraga. Segundo Fraga, Levy é “uma ilha de competência em um mar de mediocridade.”
Por tantas vezes durante a campanha eu disparei contra “banqueiros, ruralistas e fundamentalistas”. Parece que de tanto a militância falar, foram abrigados no governo e não o contrário. Até entendi a escolha de Levy no primeiro momento. Para mim seria alguém para conter a sanha do mercado devido a reeleição de Dilma. Acho que me enganei.

O segundo mandato de Dilma até este momento tem me parecido o mais contraditório possível. Apesar das medidas impopulares na economia, o governo anunciou medidas para incentivar o parto normal e garantir o parto humanizado; Dilma defendeu uma das bandeiras mais importantes da campanha que é a criminalização da homofobia e garantiu a continuidade do aumento real de salário mínimo que nesse mês passou a valer R$ 788. Medidas que jamais veríamos nos governos do PSDB.

O mesmo vigor da campanha


Votei em Dilma apostando que não teríamos o risco de voltar ao tempo negro dos governos tucanos. Eu seria “leviano” se afirmasse que voltamos a essa época com o segundo mandato de Dilma. O voto para reelegê-la foi mais do que consequente e por esse motivo vou ser consequente para apresentar as críticas e ajudar a construir o governo que quero.

Na campanha fomos responsáveis por forçar parte do PT que estava adormecida nos seus confortáveis gabinetes a irem às ruas e fazer o tradicional “corpo a corpo” da campanha. Foi memorável ver a “velha guarda” ao lado da juventude panfletando, segurando bandeiras e gritando palavras de ordem.
É esse mesmo vigor que vai fazer pressão para empurrar o governo para as mudanças que tanto queremos. Escolher um candidato tucano não é nem de longe a melhor alternativa. Ficar aí parado em suas cadeiras colocando nas redes que “Dilma não me representa” ou “Fora PT” não vai ajudar em absolutamente nada.
Ao contrário de pedir impeachment, que tal se a gente pedir melhorias? Que tal se a gente pedir mais investimentos pra educação? Que tal a gente se juntar às Centrais por mais direitos ao trabalhador? Ou a gente se mobiliza com consequência e responsabilidade, ou veremos de novo aquela onda de protestos orquestrados pela oposição pedindo até mesmo a volta dos militares ao poder, afinal a rua está aí, basta ocupá-la. Está em nossas mãos garantir que não sejam eles (de novo).
Charge de Ribs. Disponível em: http://goo.gl/VS4uvb