Após o longo recesso para o descanso, o Gonzo está de volta! Peço desculpas pela ausência. Estava me recuperando de meses exaustivos de 2014. Enfim, estou de volta com vocês. Hoje, trago uma reflexão importante sobre o segundo mandato de Dilma Roussef. Vamos lá?
Para os eleitores de
Dilma, as novas medidas econômicas têm sido um golpe baixo. Durante a campanha
eleitoral, todos nós que demos nosso voto à presidenta, apostamos em um projeto
que garantia ainda mais oportunidades aos trabalhadores brasileiros e não que
tirasse, pois o retrocesso estava encarnado em Aécio Neves do PSDB. O que
aconteceu afinal?
A ruralista e o banqueiro
A primeira surpresa foi
a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. Todos sabem da luta
anti reforma agrária que a nova ministra travou no Congresso. A 'pérola' foi
afirmar que "não existe latifúndio no Brasil”. Piada pronta, já dizia Zé
Simão.
A segunda foi a
nomeação de Levy para a Fazenda. Começou colocando barreiras para os benefícios
trabalhistas como o seguro defeso e o seguro desemprego. As Centrais Sindicais
que ajudaram a reeleger a presidente foram pegas desavisadas pelas medidas.
Nessa semana tomaram as ruas pela queda das Medidas Provisórias (MP’s) 664 e
665.
Na educação, o MEC
sofreu corte de 7 bilhões sob a justifica de “redução preventiva” devido as
“incertezas dos rumos da economia”. Entidades estudantis como a União Nacional
dos Estudantes (UNE) que apostou em Dilma para conter a ameaça neo-liberal de
Aécio Neves também foi surpreendida e lançou nota de repúdio ao corte.
Afinal,
eu votei no PSDB?
O que me espanta muito
é essa sanha dos tucanos em criticar o novo governo. Ora, vocês não tem
exatamente o que pediram há alguns meses atrás? Falaram tanto da economia e
hoje tem um Ministro queridinho em Davos e até mesmo pelo então candidato ao
Ministério da Fazenda em caso de vitória de Aécio, Armínio Fraga. Segundo
Fraga, Levy é “uma ilha de competência em um mar de mediocridade.”
Por tantas vezes
durante a campanha eu disparei contra “banqueiros, ruralistas e
fundamentalistas”. Parece que de tanto a militância falar, foram abrigados no
governo e não o contrário. Até entendi a escolha de Levy no primeiro momento.
Para mim seria alguém para conter a sanha do mercado devido a reeleição de
Dilma. Acho que me enganei.
O segundo mandato de
Dilma até este momento tem me parecido o mais contraditório possível. Apesar
das medidas impopulares na economia, o governo anunciou medidas para incentivar
o parto normal e garantir o parto humanizado; Dilma defendeu uma das bandeiras
mais importantes da campanha que é a criminalização da homofobia e garantiu a
continuidade do aumento real de salário mínimo que nesse mês passou a valer R$
788. Medidas que jamais veríamos nos governos do PSDB.
O mesmo vigor da campanha
Votei em Dilma
apostando que não teríamos o risco de voltar ao tempo negro dos governos
tucanos. Eu seria “leviano” se afirmasse que voltamos a essa época com o
segundo mandato de Dilma. O voto para reelegê-la foi mais do que consequente e
por esse motivo vou ser consequente para apresentar as críticas e ajudar a
construir o governo que quero.
Na campanha fomos
responsáveis por forçar parte do PT que estava adormecida nos seus confortáveis
gabinetes a irem às ruas e fazer o tradicional “corpo a corpo” da campanha. Foi
memorável ver a “velha guarda” ao lado da juventude panfletando, segurando
bandeiras e gritando palavras de ordem.
É esse mesmo vigor que
vai fazer pressão para empurrar o governo para as mudanças que tanto queremos.
Escolher um candidato tucano não é nem de longe a melhor alternativa. Ficar aí
parado em suas cadeiras colocando nas redes que “Dilma não me representa” ou
“Fora PT” não vai ajudar em absolutamente nada.
Ao
contrário de pedir impeachment, que
tal se a gente pedir melhorias? Que tal se a gente pedir mais investimentos pra
educação? Que tal a gente se juntar às Centrais por mais direitos ao
trabalhador? Ou a gente se mobiliza com consequência e responsabilidade, ou
veremos de novo aquela onda de protestos orquestrados pela oposição pedindo até
mesmo a volta dos militares ao poder, afinal a rua está aí, basta ocupá-la. Está
em nossas mãos garantir que não sejam eles (de novo).
Charge de Ribs. Disponível em: http://goo.gl/VS4uvb